A Galeria da Aliança Francesa do Rio de Janeiro apresenta a exposição “MANMAN DILO – uma herança comum brasileira-guianense”. A mostra que conta com a presença dos artistas T2i e NouN e homenageia a “mãe das águas”, apresenta 40 obras que evocam um imaginário coletivo em torno desta enigmática criatura, propondo uma reflexão sobre nossa relação com os elementos da natureza.
Após uma etapa em Belém de agosto a novembro de 2023, durante a Bienal das Amazônias, a exposição multifacetada, com inspirações do hip-hop, continua sua jornada pelo Brasil com uma parada inédita na Aliança Francesa do Rio de Janeiro. Este projeto tem como objetivo testemunhar a existência da enigmática figura meio mulher, meio peixe nas águas da Guiana e mostrar que essa herança ancestral inspira um universo que aborda questões atuais e futuras. Passado, presente e futuro se alinham e coabitam nas obras da exposição MANMAN DILO.

Conhecida por diversos nomes, como Touna Akʉlʉ, Wata Mama, Manman Dilo e Yemanjá, esta figura mística é reverenciada pelos povos da Guiana. “Manman Dilo” é o nome dado a ela em uma das línguas mais populares do território, o crioulo guianense.
Para esta colaboração inédita, o ponto de partida do coletivo formado pela artista visual NouN e pelo compositor e intérprete T2i, ambos profundamente enraizados na cultura hip-hop, é a palavra “Guiana”, que em línguas Arawak e Wayana significa “Terra das mil águas” ou “Terra de água abundante”.

Fiel aos relatos populares sobre “Manman Dilo”, a dupla propõe uma representação dessa figura como guardiã da história e símbolo de um forte poder feminino. Algumas obras vislumbram uma distopia ambiental, onde Manman Dilo retoma a posse dos espaços e objetos humanos, sendo testemunha direta da degradação das águas e oceanos. Ponte entre a crença ancestral e a relação com os elementos naturais, esta figura mítica incorpora a força natural e o espírito da água, temida e admirada ao mesmo tempo. Para os artistas NouN e T2i:
“Dar vida a este tipo de projeto é estar convencido de que a herança sul-americana e o hip-hop podem coexistir e revelar novas dimensões e questionamentos sobre nosso relacionamento com o mundo atual.“

A exposição é composta por quatro grandes eixos, que formam a espinha dorsal de um projeto multifacetado com um forte DNA amazônico: a resistência das crenças ancestrais; a preservação da água; a promoção da cultura hip-hop comum aos dois artistas; e o status da mulher na sociedade atual. As pesquisas realizadas no âmbito do projeto revelaram que no Senegal, Brasil, Haiti e em várias outras regiões ao redor do Atlântico, existe um personagem misterioso com características semelhantes, sob diferentes nomes.
A transmissão ao longo dos séculos e testemunhos sobre essas crenças ancestrais e populares dentro das diversas comunidades guianenses testemunha a vitalidade das narrativas orais nas comunidades ameríndias e afrodescendentes na Guiana para além dos continentes. Isso evidencia uma resistência das crenças dos ancestrais negros e indígenas face aos colonialismos europeus.

NouN é uma artista visual com origens norte-africanas, sempre em busca de sua identidade. Sua obra multidisciplinar abrange pintura, desenho, fotografia e dança. Desde jovem, a cultura hip-hop foi um ponto de referência na construção de sua identidade. Após trabalhar dez anos no setor cultural, em 2020, ela integrou a seção de Arte e Imagem da Escola Kourtrajmé. Participou de várias exposições coletivas e apresentou seu primeiro solo “Dans Les Yeux” em Paris em 2019. Hoje, continua seu trabalho sobre questões de representação, olhar e identidades múltiplas.
T2i é autor, compositor e intérprete que constrói seu universo musical com um hip-hop de sonoridades “frutadas” e minimalistas. Lançou seu EP “FRUIT.” em 2020 e ganhou prêmios como “Revelação do Ano” na cerimônia dos Prêmios de Música Guianense e o prêmio Music Machine do Inrocks LAB x Galerie Lafayette. Formado em design gráfico e direção de cinema, T2i combina suas habilidades para criar um universo único e envolvente.

Com 138 anos de atividades no Brasil, a Aliança Francesa é uma referência na difusão da língua francesa e das culturas francófonas. Possui, atualmente, mais de 830 unidades em 132 países, onde estudam cerca de 500.000 alunos. Na França, conta com escolas e centros culturais para estudantes estrangeiros e no Brasil possui a maior rede mundial de Alianças Francesas, com 37 associações e 68 unidades. É a única Instituição no Brasil autorizada pela Embaixada da França a aplicar os exames de conferem acesso aos diplomas internacionais DELF e DALF, reconhecidos pelo Ministério da Educação Nacional Francês. Além disso, é centro de exames oficiais para diversas modalidades do TCF, destinado ao público não francófono que deseja validar de maneira simples e segura seus conhecimentos de francês por razões pessoais, profissionais ou de estudo.
Serviço: Exposição MANMAN DILO, uma herança comum brasileira-guianense, na Galeria da Aliança Francesa do Rio de Janeiro, Rua Muniz Barreto, 730, Botafogo, Rio de Janeiro. Mais informações em: www.rioaliancafrancesa.com.br